sábado, 28 de abril de 2012
DA PARTE DO CORAÇÃO QUE NÃO NOS PERTENCE
De repente chegamos a um dia das nossas vidas em que uma parte do nosso coração já não nos pertence. Nós andamos a carregar essa parte dentro de nós, porque não a podemos (nem queremos) separar do restante coração, mas a verdade é que deixa de nos pertencer. Pode ser uma pequena ou uma grande parte, consoante o que permitimos. Mas essa parte, que antes era nossa, passa a pertencer a outra pessoa, a outro ser vivo. O que significa que deixamos de ter controlo sobre essa parte do nosso coração. Significa que se alguma coisa má afectar o detentor dessa parte do nosso coração, isso automaticamente afecta-nos o coração. Ficamos com o coração pequeno, tão pequeno. E não podemos fazer nada. Porque aquela parte não nos pertence. Isto é mais ou menos o que acontece quando alguém perde irremediavelmente outra pessoa. Essa parte do coração morre também. Isto é mais ou menos o que acontece quando uma mãe ou um pai vêem um filho numa cama de hospital. Essa parte do coração fica demasiado apertada e bate desenfreadamente, movida pelo medo. Isto é mais ou menos o que acontece quando alguém entrega uma parte do seu coração a um animal de estimação e ele adoece. E o imagina sozinho numa Clínica. Essa parte do coração fica a chorar, por dentro, porque só algumas pessoas sabem como é possível amar perdidamente um animal. Isto é mais ou menos o que acontece quando nos zangamos com alguém e finalmente chega a despedida. Essa parte do nosso coração fica vazia e não há nada que consigamos fazer para a recuperar e pôr a funcionar novamente. Paciência, dizemos nós, temos mais espaço no coração. Mais partes. E assim prosseguimos. Isto é mais ou menos o que acontece a toda e qualquer pessoa que entregue uma parte do seu coração. Pode trazer dissabores, tristezas, pesos insuportáveis, mas pode alojar lá milhões de sentimentos, de momentos, memórias e alegrias.
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