Queria rasgar o tempo. Vê-lo numa parede de papel. Chegar com a mão a um canto. Rebentar o papel com o indicador e puxar a folha até cá abaixo. Ouvir o barulho do tempo a ser rasgado, e ver o que está do outro lado. Depois com todos os dedos. Rasgar pedaços de papel. Ora os maiores, ora os mais pequenos, até sobrar nada. Só o que está do outro lado. Nem passado nem presente, apenas um vislumbre do futuro. Imagino-me a arrancar pedaços com força. Violentamente. Outros mais devagar. Tirar pequenos pedaços que insistem em ficar agarrados. Ouvir o papel definhar sem poder fazer nada. Sem poder voltar ao sítio de onde fora arrancado, segundos antes. Apetece-me rasgar o tempo como se de uma parede de papel se tratasse. Com o receio, porém, de que este seja papel de parede.
Efeitos de uma baixa interminável.
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